Tenho marcas de ti, todos os passos, gestos que dou, foste tu que me obrigas-te a percorrer, comete-los, não exclamando ‘tens que fazer isto’ mas sim fazendo-me sentir uma enorme nostalgia, uma enorme perda dentro de mim. Tenho saudades dos nossos momentos dos bons e dos maus nem por isso, pois eles só nos traziam discussões, faziam com que passássemos dias sem falar, mas sim também sinto falta deles pois, isso significava que eu te teria perto de mim, do meu lado, sem nenhuma outra objecção. Tenho saudades das nossas conversas que eram cómicas, conversas sem sentido algum, que nos faziam sorrir, nos tornavam próximos, do nosso quotidiano, no qual eu já sabia todos os teus actos, todas as tuas objecções, todos os teus pedidos, do teu sorriso quando fazíamos o que fazíamos, quando tínhamos aqueles momentos a tua cara de atrevido, que me dava uma enorme vontade de rir, mas não o fazia por vergonha, da tua cara de ódio, quando eu te irritava, por não ceder aos teus pedidos, daquele gesto que fazias quando eu te pronunciava um não. Nostalgias de quando tínhamos a promessa de amor interno, único, das tardes, noites e madrugadas a falar de tudo e mais alguma coisa. Tenho saudades do teu ciúme sem fundamento algum, pois nenhuma ligação existia, apenas amizade, dos teus medos e da forma como tu e ele se tornavam apenas num só, de como tu te preocupavas com aquilo que eu sentia, se eu me magoaria, ficava aborrecida com um gesto teu, se eu faria certas e determinadas coisas ou não, saudades da tua fraqueza, que me irritava profundamente, que me faziam querer odiar-te e esquecer-te. Saudades da nossa vida, de quando dizíamos ser inseparáveis. Tenho saudades de quando me fazias acreditar que te amava independentemente de todos os teus feitos, dos teus erros, que nunca me levaram a contentamento. Saudades do teu ‘amo-te’ deixando um brilho nos meus olhos. Saudades da nossa amizade que de dia para dia se ia transformando mais que isso, do nosso ‘quase namorar’, dos nossos objectivos (uma relação), do procurar conhecer mais e mais para um futuro existir, saudades de uma luta constante para haver o tão esperado ‘nós’. Saudades de todos os nossos feitos por amor, pelo menos da minha parte. Do teu ‘amo-te’ pronunciado antes de ir dormir, das tuas, minhas palavras amorosas, nossas palavras duras nas discussões, da nossa vontade de ser um só. Tenho saudades de ti ao meu lado, tenho saudades da tua presença em mim mesmo na tua ausência, de quando me fazias chorar, quando a única coisa que me sabias dar era só e apenas sofrimento, de quando me fazias sentir feliz, de quando me fazias sorrir, de quando me fazias sentir amada. Tenho saudades de tudo o que vivemos, dos momentos, da tua forma de não saber o quanto te amava, de não dar valor ao meu amor, que para ti era excessivamente insignificante, de quando me fazias sentir a mulher da tua vida, de quando me fazias sentir o teu amor, da falta que tu me fazes, da que eu te faço a ti, tenho saudades de te ouvir dizer ‘tenho saudades dos nossos momentos’, mesmo tu me dizendo isso aos molhos e eu não dar o devido valor, mesmo sabendo que eles não trazem nenhuma relação, pois os teus feitos não o permitem, de uma vivência nunca vivida, da tua imaturidade, do teu olhar, dos teus gestos insignificante, das tuas provas. Da forma mais simples de resolver os imprevistos, de resolver as nossas zangas, de ver a minha vida ao teu lado, de imaginar o nosso futuro. Tenho saudades de ser só e exclusivamente tua e de tu seres só e exclusivamente meu. De te pertencer inteiramente, de me entregar a ti, de te dar tudo, de fazer parte da tua vida, de saber a todo o momento o que estavas a fazer e com quem estavas, de ser eu a desejar estar contigo. Tenho saudades da nossa história, a mais estranha que alguma vez vivi, do sentimento mais forte que senti, da forma de como me magoas-te e continuas a magoar, como nunca ninguém magoou. Tenho saudades de te ouvir dizer ‘isto fica só entre nós, não digas a ninguém’, do segredo que ainda ambos mantemos, e que por mim iremos manter eternamente. Sinto saudades da tua amizade, da tua força e de tua confiança em mim, na confiança no ‘nós’, do teu carinho, da tua chama que permanecia por mim, do teu desejo que me era visível, das tuas, nossas loucuras, dos teus interesses, do teu feitio. Saudades de ti quando supostamente me pertencias, de como eras, do ser perfeito que eu tinha permanente em mim, de mim quando lutava por nós, quando tinha forças, de quando dizia com todas as eficácias que te amava e que eras meu. Saudades do futuro que não vivemos, mas que eu sempre imaginei, planeei e tentei alcançar. Tantas palavras para te dizer que são saudades de ti.
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